Padrões de Candles (Barras) – Guia Prático

Os padrões de candles ou barras dividem-se em padrões de reversão e padrões de continuidade. Mesmo numa tendência, muitos dos sinais de entrada são com padrões de reversão, com os traders de price action a entrar na reversão no final da retração, e esperando que o mercado retome na direção da tendência principal.

Os exemplos apresentados neste artigo descrevem padrões de compra ou touro. Aplica-se o inverso em padrões de venda ou urso. No final do artigo, são apresentadas várias particularidades do trade, e como operar com as barras de sinal, barras de entrada e falhas.

Para uma introdução genérica ao tema, leia também o artigo Existem Dois Tipos de Barras/Candles.

Padrões de reversão

Barra de Reversão – R

Uma barra de reversão (R), também chamada de barra de pines, é uma barra com uma sombra inferior e um fecho acima da abertura e do meio da barra numa reversão de alta. As barras de reversão relativamente pequenas falham frequentemente sendo melhor aguardar por uma segunda entrada (2E). Uma barra de reversão deve ter a sombra com pelo menos dois pontos abaixo da barra anterior numa reversão de alta. Um doji (D) antes de uma barra de reversão enfraquece o sinal.

A entrada stop para uma barra de reversão R é um ponto acima da máxima e o stop protetivo um ponto abaixo da mínima.

Barra de Reversão Dupla – 2R

Uma barra de reversão dupla (2R) é um par de barras de cores opostas. Uma barra de tendência urso seguida de uma barra de tendência touro é um padrão de reversão touro. Estas duas barras são uma barra de reversão (R) num tempo gráfico maior. Uma barra 2R deverá ser clara e não se sobrepor com as barras anteriores. Se uma barra 2R ocorrer numa retração, entrar numa segunda entrada (2E).

A entrada stop numa barra de reversão 2R é um ponto acima da máxima das duas barras e o stop protetivo um ponto abaixo da mínima das duas barras.

Barra de Reversão Tripla – 3R

Uma barra de reversão tripla (3R) consiste numa barra de tendência urso, seguida por uma barra de pausa (por exemplo um doji), e uma barra de tendência touro. Estas três barras geralmente formam uma barra de reversão (R) num tempo gráfico maior.

A entrada stop numa barra de reversão 3R é um ponto acima da máxima das três barras e o stop protetivo um ponto abaixo da mínima das três barras.

Barra Interna – I

Uma barra interna (I) é uma barra de contra tendência com um fecho touro e o preço contido na barra anterior (máxima inferior à máxima da barra anterior e mínima superior à mínima da barra interior). As barras internas são excelentes barras de sinal (BS) para um rompimento falhado (RF), continuação da tendência anterior no final de uma retração, e funcionam melhor na primeira retração (1R).

Por vezes existe uma reversão de barra interna, com o critério mais importante uma ultrapassagem de linha de canal (LC) ou uma segunda entrada (2E) da ultrapassagem, esta última entrada com maior probabilidade de sucesso. Nesta situação deve existir espaço para um trade lucrativo do outro da barra que contem a barra interna.

A entrada stop numa barra interna I é um ponto acima da sua máxima e o stop protetivo um ponto abaixo da sua mínima. O próximo stop protetivo maior é abaixo da mínima da barra anterior que contém a barra interna.

Barra Interna Dupla – II

Um padrão de barra interna dupla é uma barra interna contida noutra barra interna (duas barras internas consecutivas). O padrão é frequentemente uma lateralidade ou triângulo num tempo gráfico menor, e, portanto, uma área de equilíbrio.

A entrada stop num padrão de barra interna dupla II é um ponto acima da máxima da ultima barra interna e o stop protetivo um ponto abaixo da mínima das duas barras.

Barra Externa – E

Numa barra externa (E) a máxima é acima da máxima da barra anterior e a mínima é abaixo da mínima da barra anterior. As barras externas atuam como reversão ou continuação dependendo do contexto. A sua força advém de encurralar traders de ambos os lados.

A entrada stop numa barra externa Eé um ponto acima da máxima e o stop protetivo um ponto abaixo da mínima.

Padrão de barras Interna/Externa/Interna – IEI

Um padrão de barras IEI consiste numa barra interna seguida por uma barra externa e novamente por outra barra interna. É geralmente uma segunda entrada (2E) de contra tendência, e, portanto, uma segunda tentativa de reverter o preço.

A entrada stop num padrão IEI é um ponto acima da máxima da barra interna e o stop protetivo um ponto abaixo da mínima da barra interna ou abaixo da mínima das três barras.

Padrão de barras Externa/Interna/Externa – EIE

Um padrão de barras EIE consiste numa barra externa seguida por uma barra interna e novamente por uma barra externa. A ultima barra externa funciona como uma armadilha, dando um sinal de venda ao descer abaixo da mínima da barra interna para reverter e fechar acima da máxima da barra interna. Esta armadilha pode resultar num movimento rápido. O padrão EIE pode ser uma barra de reversão (R) num tempo gráfico maior.

A entrada stop de um padrão EIE é um ponto acima da máxima das três barras e o stop protetivo um ponto abaixo da mínima das três barras.

Barra Externa Dupla – EE

Um padrão de ba EE consiste em duas barras externas consecutivas que podem ser um padrão de reversão ou continuação dependendo do contexto. O padrão funciona geralmente como uma dupla armadilha, à semelhança da barra externa simples E.

A entrada stop num padrão de barras EE é um ponto acima da máxima das duas barras e o stop protetivo um ponto abaixo da mínima das duas barras.

Bandeira Final (BF)

Uma bandeira final (BF) é uma perda de momento num padrão sobreposto e horizontal no que pode ser a ultima retração antes de um possível rompimento de linha de tendência ou reversão. Forma geralmente uma lateralidade num tempo gráfico menor sendo uma área de equilíbrio entre touros e urso. Pode ser apenas uma ou algumas barras sobrepostas, como os padrões I, IEI e II. É esperado o rompimento da bandeira falhar e reverte.

No padrão BF, é frequente ver o sinal de entrada ativado do lado errado para depois reverter no sentido contrário. O primeiro target do rompimento falhado é o outro lado da BF.


Padrões de continuação

Existem frequentemente retrações de rompimento (RRT) depois e uma reversão (continuação numa nova tendência ou tentativa de tendência).

Retração de Rompimento com Barra Interna – RRPI

Uma barra interna (I) a seguir a um rompimento (RP) pode ser tratada como uma retração de rompimento (RRP) com entrada na direção da tendência. Alguns dos sinais transformam-se numa bandeira final (ver padrão BF acima). Alguns dos sinais são pequenas barras internas para uma reversão menor da barra de rompimento grande e podem ativar na direção errada, pelo que este padrão pode ser operado em ambas as direções.

A entrada stop num padrão RTI é um ponto acima da barra interna I e o stop protetivo um ponto abaixo da barra.

Dupla Retração de Rompimento com Barra Interna – 2RRP

Uma dupla retração de rompimento (2RRP) é outra variação da retração de rompimento RRPI que pode ser operada a favor da tendência. Os traders de contra tendência tentaram duas vezes reverter o mercado, mas falharam em ambas as vezes. A segunda entrada/retração deverá ter uma barra interna (I) de sinal.

A entrada stop para o padrão 2RTI é um ponto acima da máxima de ambas as barras e o stop protetivo um ponto abaixo da mínima de ambas as barras.


Como operar padrões de candles (barras)

Barra ou padrão de sinal – BS

Logo que surja um sinal no gráfico, coloque uma ordem stop de entrada um ponto acima da barra ou padrão de sinal. O stop protetivo mais perto é um ponto abaixo da barra ou padrão. Pode ser usado um stop mais folgado do que a distância da barra mais um ponto, mas isto poderá levar a um target mais longe para manter o mesmo rácio risco recompensa. A entrada, stop e target devem ser preferencialmente ajustados em função da estrutura de mercado.

Barra de Entrada – BE

A barra que ultrapassa a barra de sinal e ativa a ordem de entrada torna-se na barra de entrada.

Uma boa barra de entrada é uma barra de tendência com pequenas sombras e preferencialmente maior do que a barra de sinal. O que faz uma boa barra de entrada? Muitos traders a observar e a entrar no mesmo trade. Se a barra de entrada for boa, poderá mover o stop um ponto abaixo desta, e depois do preço romper a sua máxima.

Se a barra de entrada for fraca, ou se existirem vendedores na sua abertura, existe uma boa probabilidade do trade falhar.

Barra de rompimento – BR

A barra de entrada é a barra que se move acima da máxima da barra de sinal ou quando um padrão é ativado. Se não existir uma boa barra de entrada (barra de tendência), poderá ser iniciado o trade acima da barra de rompimento a seguir à barra ou padrão de sinal.

Barra de Entrada Falhada

Se entrou com uma barra ou padrão de sinal razoável, então muitos outros traders entraram consigo, sendo que se o mercado for contra si na barra de entrada, deverá tentar sair com uma pequena perda.

Quando uma barra ou padrão de sinal forte é ativado, e pausa, provavelmente indica que i) existem traders a entrar na direção contrária à sua ou ii) outros traders estão a fechar as suas posições na ativação do seu sinal.

Se a barra de entrada reverte e fecha abaixo da máxima do sinal é considerada uma barra de entrada falhada. Se quiser operar na falha, a melhor forma de entrar neste caso é quando o sinal de reversão falha, por exemplo, um stop abaixo da mínima da barra ou padrão de sinal. Esteja, no entanto, atento à segunda tentativa dos traders de contra tendência reverter o preço.

Os rompimentos falhados de pontos fortalecem uma barra de entrada falhada, como um rompimento de falhado de 1 ou 2 pontos, ou uma falha de atingir um target comum.

Quando um sinal que é ativado do lado errado

É comum um sinal se ativado no lado errado (preço abaixo da barra de sinal para uma compra). Nestes casos é melhor aguardar por mais price action, como uma segunda entrada por exemplo.

Um sinal de reversão ativado no lado errado cria geralmente alguma sobreposição seguida de algum padrão de lateralidade, significando que existem vendedores acima e compradores abaixo.

Quando existe uma barra interna a seguir à barra de sinal que não ativa o sinal de reversão

É comum a barra a seguir ao sinal de reversão se tornar numa barra interna. Isto é geralmente a primeira retração de uma possível reversão. Muitas vezes a retração é algum tipo de micro topo fundo ou micro topo duplo, um reforço do sinal de reversão, mas que também cria alguma sobreposição. As sobreposições funcionam como ímanes (pequenas lateralidades estreitas) que puxam geralmente o preço de volta.

Geralmente existem muitas tentativas dos traders de contra tendência antes de uma reversão bem sucedia.

Preço alvo (Target)

Numa lateralidade, se está a operar um sinal de reversão touro, será sensato sair na mínima de uma barra urso durante o segundo impulso de alta. Numa tendência touro, poderá geralmente fazer swing abaixo de uma barra urso durante o terceiro impulso de alta.

Muitos traders entram numa ordem stop e usam um stop protetivo de uma  barra para operar um sinal de reversão. Isto significa que o risco inicial do trade é o sinal com o tamanho da barra ou padrão de reversão. São geralmente usados como preços alvo múltiplos do risco inicial.

Arame Farpado

O arame farpado (AF) é um tipo de lateralidade estreita de várias barras, muitas das quais doji (D). Se o AF ocorrer antes de um sinal, pode diminuir a probabilidade de sucesso do trade. É melhor não operar o AF, a menos que se tenha muita experiência e consiga reverter o mesmo depois de rompimento falhado numa pequena barra junto aos extremos. Na maioria das lateralidades estreitas, os rompimentos falham.

Existem Dois Tipos de Barras/Candles

Os padrões de barras ou candles por si só não têm qualquer significado no trade. Alguém que use apenas estes padrões está condenado a perder dinheiro nos mercados.

No entanto, os padrões de barras quando usados em conjunto com outros elementos fundamentais do price action, como as linhas de tendência e de canal, níveis de suporte e resistência, e a estrutura de mercado, ganham significado.

Existem apenas dois tipos de barras a partir do qual todos os padrões de barras são formados: 1) barras de tendência e 2) barras de indecisão ou doji.

Uma barra é formada pelo corpo e sombras. Quando a barra não tem sombras ou estas são pequenas quando comparadas com o corpo, trata-se de uma barra de tendência. No caso de uma barra de tendência touro, a abertura é igual ou perto da mínima e o fecho é igual ou perto da máxima. Numa barra de tendência urso, a abertura é igual ou perto da máxima e o fecho é igual ou perto da mínima.

Quando uma barra não tem corpo (a abertura é igual ao fecho) ou o corpo é pequeno quando comparado com as sombras, trata-se de uma barra de indecisão ou simplesmente doji.

As barras de tendência fazem o preço caminhar numa direção enquanto os doji são barras de indecisão significando uma pausa no preço. Também podem existir várias barras de tendência sobrepostas, neste caso formando uma lateralidade, em que o preço anda de lado.

Para entrar numa posição com price action, é preciso primeiro uma barra de sinal em confluência com outros elementos fundamentais acima descritos. Idealmente a barra de sinal é uma barra de tendência na direção da nossa entrada. Isto porque a barra já provou que um dos lados, touro ou urso, tomou conta do mercado oferecendo uma vantagem probabilística ao trader de que o preço irá na mesma direção da barra.

O modo mais conservador de entrar numa posição é com uma ordem stop um ponto acima de uma barra de sinal com tendência touro ou um ponto abaixo de uma barra de sinal com tendência urso. É uma forma de aproveitar o momento com uma entrada no rompimento da barra de sinal.

O local mais lógico para colocar o stop protetivo é no lado oposto ou perto do extremo da barra de sinal. Se uma barra de sinal for muito grande poderá não ser a ideal como sinal de entrada, principalmente porque o stop fica muito longe da entrada, e consequentemente o target ficaria a uma grande distância da entrada.

Outro motivo para não entrar com uma barra de sinal grande é o facto de muitas barras grandes formarem lateralidades. Não vai querer comprar num rompimento de uma lateralidade porque a maioria dos rompimentos em lateralidades falham. Muitos traders operam esta configuração conhecida como rompimento falhado.

Existem no entanto, situações em que uma barra de tendência grande pode ocorrer num mercado em tendência, podendo ter vários significados em função da sua posição.

Uma barra grande que rompe uma lateralidade e forma o início de uma tendência é sinal de força e início de uma nova tendência. Se a tendência continuar o momento, e depois da primeira retração for observada nova barra grande, isto significa a continuidade da tendência. Mais tarde na tendência, e se depois de duas ou mais retrações for observada nova barra de tendência grande, o trader deverá suspeitar que a tendência poderá estar perto do fim. As barras grandes no final de um movimento podem significar exaustão do preço e uma potencial reversão.

No caso de uma tendência touro, a exaustão do preço é normalmente vista no gráfico como um movimento rápido, mostrando scalpers e algoritmos de alta frequência a comprar e a espremer o mercado até ao ultimo ponto da subida bem. É também nesta fase que entram os compradores tardios (muitos deles amadores). Os vendedores e traders de contra tendência aguardam ainda para iniciar as suas posições curtas enquanto o preço não chega aos níveis pretendidos, normalmente um nível de suporte ou resistência, ou uma linha de canal.

Quando se formam vários dojis sobrepostos uns aos outros podendo ter ou não algumas barras de tendência pelo meio, isto é uma espécie de lateralidade, a que Al Brooks chama de arame farpado. Isto é um mercado muito difícil de negociar, em que vale a pena aguardar por mais price action com a clarificação do mercado, que mais cedo ou mais tarde ocorrerá.

Os Fundamentos da Estrutura de Mercado

A estrutura de mercado é um dos princípios básicos de price action mais importantes, e talvez o mais ignorado, talvez devido ao facto de ser um princípio mais avançado que só consegue verdadeiramente ser dominado com a experiência do trader.

A estrutura de mercado pretende dar resposta às seguintes questões:

  • O mercado está na fase de tendência, lateralidade ou reversão?
  • Ou por outro lado, não se consegue identificar a fase de mercado, parecendo o mesmo arame farpado, como Al Brooks chama a este tipo de padrão?
  • O mercado estás prestes a romper ou rompeu uma lateralidade?
  • O mercado está a reverter de tendência?

A estrutura do mercado é única para cada tempo gráfico. Por exemplo, no gráfico diário, um mercado pode estar em lateralidade enquanto no gráfico intra diário de 5 minutos o mercado encontra-se em tendência.

A estrutura de mercado é também conhecer desde o elemento mais pequeno ou micro, até elemento maior ou macro dos gráficos de preços.

Em qualquer gráfico de qualquer horizonte temporal de um mercado, a estrutura mais pequena inicia com uma barra ou candle.

Um impulso é formado por várias barras numa direção enquanto uma correção é um conjunto de várias barras na direção contrária à do impulso. A distancia percorrida pelo impulso é igual ou superior à distancia percorrida pela correção.

Um impulso também pode ter uma única barra se esta for longa. De igual modo, uma correção também pode ser algo tão subtil como uma barra de pausa, como por exemplo, uma barra doji ou interna,

Uma perna é formada por um impulso e correção, também conhecida como “onda” na Teoria das Ondas de Elliott.

Um conjunto de duas ou mais pernas forma um swing. Os swings são os preços máximos e mínimos que se destacam no gráfico (topos e fundos). Um swing de máxima (topo) tem as barras à esquerda e direita com preços abaixo desenhando uma forma de pirâmide. O oposto se verifica para um swing de mínima (fundo), com as barras à esquerda e direita do swing desenhando uma forma de pirâmide invertida.

Dois ou mais swings formam uma tendência, que pode ser de alta, com mínimas e máximas swing (fundos e topos) a subir, ou de baixa, com máximas e mínimas (topos e fundos) a descer. Se as mínimas e máximas swing não subirem nem descerem temos uma lateralidade ou canal horizontal, em que o preço se encontra em consolidação até romper o mesma e formar nova tendência.

Antes de uma tendência de alta reverter numa tendência de baixa, é comum verificar-se uma lateralidade, que faz a transição entre as duas tendências. O mercado também pode reverter de tendência diretamente sem existir uma lateralidade de transição.

Uma tendência pode ser ser seguida por uma lateralidade e novamente por uma tendência na mesma direção da anterior. Neste caso é um mercado em continuidade.

O trader ao observar e estudar a estrutura de mercado consegue estar mais próximo do price action, desde a análise do detalhe com a barra individual, passando pelo impulso e correção que forma a perna, seguida do swing (topos e fundos), depois a tendência e finalmente as transições.

Suporte e Resistência

A par com as linhas de tendência e de canal, o suporte e resistência são um dos elementos mais importantes do price action.

O suporte é formado por uma linha horizontal tocando duas ou mais mínimas swing (duas ou mais pernas) e a resistência por uma linha horizontal tocando duas ou mais máximas swing. O principal fator que distingue as linhas de suporte e resistência das linhas de tendência e de canal, é que no caso das primeiras, as linhas são horizontais, ao contrário das últimas que são oblíquas.

O suporte forma uma espécie de barreira que impede o preço de cair e a resistência forma uma espécie de barreira que impede o preço de subir.

Quando a tendência de alta é forte, o preço pode romper acima da resistência, sendo que nesta situação os papéis podem ficar invertidos, se depois do rompimento o preço retrair e testar a resistência tornada no novo suporte. De igual forma, quando a tendência de baixa é forte, o preço pode romper abaixa do suporte, e testar novamente o suporte tornado na nova resistência.

Quando o rompimento do suporte ou resistência é fraco, não se tem uma inversão dos papéis, mas sim um rompimento falhado, em que barreira foi rompida, mas reverteu de seguida no sentido contrário ao rompimento. Muitos traders consideram os níveis de suporte e resistência não como uma linha exata, mas como uma área aproximada.

A operação de day trade tem níveis adicionais de suporte e resistência em relação a outros horizontes temporais maiores. Por exemplo, no gráfico de 5 minutos, são considerados os seguintes níveis adicionais:

  • Máxima e mínima do dia anterior (MDA e mDA).
  • Fecho do dia anterior (FDA).
  • Abertura do dia (AD), especialmente em dias de lateralidade.
  • Máxima e mínima da ultima semana (MSA e mSA).
  • Abertura da semana (AS), especialmente no último dia da semana.

À semelhança das linhas de tendência e de canal, é importante observar a reação do preço junto aos níveis de suporte e resistência, porque muitos sinais de trade advém desta zona.

O nível de suporte e resistência vai ser respeitado e o preço reverte? Existe algum rompimento falhado? Ou por outro lado, o preço faz uma pausa junto a este nível para depois o ultrapassar na mesma direção? Ou ainda, o preço vence este nível sem qualquer oposição?

Linhas de Tendência e de Canal

As linhas de tendência e de canal são um dos aspetos mais importantes no price action, pois é através das suas várias combinações que se formam a maioria dos padrões conhecidos na análise técnica.

As linhas de tendência unem numa tendência de alta as mínimas de dois ou mais swings (duas ou mais pernas), e numa tendência de baixa as máximas de dois ou mais mais swings. As linhas de canal unem numa tendência de alta as máximas de dois ou mais swings, e numa tendência de baixa as mínimas de dois ou mais swings.

Ou seja, as linhas de canal são desenhadas no lado oposto das linhas de tendência. Pode-se dizer que o price action está contido entre as linhas de tendência e de canal, e que a sua leitura conduz à direção provável do preço.

Se as linhas de tendência e de canal forem paralelas formam um padrão de canal de alta (linhas com inclinação para cima), um canal de baixa (linhas com inclinação para baixo) ou canal horizontal (linhas paralelas e horizontais). Se forem oblíquas e se desenvolverem no sentido ascendente forma um cunha ascendente, e se se desenvolvem no sentido descendente formam um cunha descendente.

Se as linhas de tendência e de canal forem divergentes ou convergentes formam os padrões de cunha e triângulo. As distinções entre estes dois tipos de padrões é que no caso do triângulo as duas linhas formam o mesmo ângulo com o eixo horizontal, enquanto na cunha têm ângulos diferentes.

Se estas linhas oblíquas se desenvolverem no sentido ascendente forma um cunha ascendente, e se se desenvolvem no sentido descendente formam uma cunha descendente.

O triângulo pode ser convergente ou divergente. O triângulo divergente é também conhecido como triângulo expandido.

Os canais de linhas paralelas podem ser amplos, regulares ou micro. Os canais amplos, como o nome indica, têm uma boa distância entre linhas podendo existir swings no interior dos mesmos. Os canais micro têm o price action todo contido entre as linhas, não existindo swings. Nos canais micro, as linhas de tendência e canal encontram-se muito perto junto às mínimas e máximas das barras ou candles. Os canais regulares encontram-se qualquer coisa entre os canais micro e os canais amplos.

Os traders devem ter por hábito desenhar linhas de tendência e de canal dos seus gráficos durante a sessão, observando o comportamento do price action junto a estas linhas. O preço vai testar e reverter na linha de tendência/canal? Ou por outro lado, vai testar e continuar na mesma direção? Ou ainda, vai ultrapassar estas linhas como se não existissem?

A reação do preço nas linhas de tendência e de canal, junto a suporte e resistência, em conjunto com os padrões de barras ou candles no contexto apropriado, produz os sinais de trade que observamos nos gráficos de price action.

Princípios de Price Action – Ler isto primeiro!

Sobre os Gráficos
Todas as abreviações que uso nos gráficos e artigos do blog.

Guia do Trader
Se é novo no mundo do trade este guia pode ser útil.

Os 3 Pilares do Price Action
Barras/candles, sequências de barras/candles e estrutura de mercado formam os 3 pilares do price action.

Setups Essenciais
Os setups básicos que qualquer trader deve conhecer e incorporar na sua estratégia.

Suporte e Resistência
Como day trader, o suporte e resistência do dia anterior deve ser a sua maior preocupação.

Linhas de tendência e de Canal
Estas linhas mostram para onde o preço se dirige e são importantes para detetar a mudança de sentimento.

Para concluir
Operar na bolsa com price action não é como ficar rico rapidamente enquanto está numa ilha paradisíaca a apanhar sol e a beber pina colada e caipirinha. Não pode simplesmente memorizar alguns padrões de barras ou candles e confiar nalgum indicador secreto. É sobre trabalho duro e manter a sua vantagem. Lembre-se que compete com computadores e outros traders muito experientes e precisa da melhor vantagem que conseguir. Se operar day trade, é muito importante saber tomar decisões rápidas.

Os 3 Pilares do Price Action

1. Barras/candles

A primeira etapa para conhecer o price action é saber o que mostra cada barra ou candle. Isto não significa apenas diferenciar uma barra de reversão de uma barra interna, mas também o que a barra significa num determinado contexto. Por exemplo, deverá conhecer os vários aspetos que reforçam e enfraquecem um setup, como:

  • Duas barras opostas cima/baixo ou baixo/cima são uma barra de reversão se não estiverem a meio de uma lateralidade.
  • Uma barra interna precisa de ter um fecho forte para ser um sinal de reversão, mas se tiver uma sombra pode ser aceitável se for um rompimento falhado de uma lateralidade.
  • As barras de sinal doji funcionam frequentemente em trades a favor da tendência, mas costumam falhar em trades de contra tendência.
  • Barras muito grandes são geralmente lateralidades.

Ler mais:
Existem Dois Tipos de Barras/Candles

2. Sequência de Barras

A maioria dos setups são sequências de barras, pelo que deverá conseguir identificar as mesmas, como por exemplo:

  • 2 pernas de retração.
  • 3 impulsos que testam uma linha de canal (linha paralela ou oblíqua à linha de tendência num canal).
  • Ultrapassagem de linha de tendência em canal.

Adicionalmente, deverá esperar certos padrões de barras baseados na atual barra, como por exemplo:

  • Uma barra grande poderá ser o início de um Impulso e canal.
  • Uma barra grande poderá ser um rompimento falhado.
  • Uma retração seguida de um doji poderá se tornar em arame farpado.
  • Se no final de uma tendência forte aparecerem várias barras pequenas tipo doji, isto poderá indicar uma lateralidade estreito.

3. Estrutura de mercado

A estrutura de mercado leva mais tempo para conhecer, mas é uma das fases mais importantes do price action. Deverá ser capaz de saber se o mercado está em tendência, a reverter de tendência, a romper de uma lateralidade para uma tendência, etc. Deverá ser capaz de determinar o tipo de movimento e o tipo de trade mais apropriado para cada tipo de mercado. É uma tendência de alta regular em que deverá comprar todas as fm2? É uma tendência de baixa forte em que deverá vender todas as m1? É uma lateralidade muito estreita em que cada trade é um scalp? É um mercado de tendência muito forte que é capaz de durar muito tempo? É um mercado doido que está a enganar touros e ursos sem direção definida? Quando mais rápido reconhecer isto, mas rápido poderá atuar em função das condições de mercado.

A estrutura de mercado é o filtro e guia geral assegurando que não se opera trades na direção errada. Se gosta de fazer swing por muitos pontos, deverá querer operar a favor da tendência num mercado de tendência forte. Se o mercado está fraco ou numa lateralidade estreita poderá operar em ambas as direções com alguma experiência.

Conhecer a estrutura de mercado também lhe permite aguentar nas retrações e sair na altura certa, maximizando os seus ganhos. Até dominar esta fase, irá sentir-se impotente com exceção dos casos de tendência e lateralidade mais comuns

Contudo, mesmo com o conhecimento da estrutura de mercado, não será capaz de entrar corretamente num setup sem conhecer também as outras fases. Por exemplo, se as suas entradas são paradas e depois o mercado move-se na direção da sua entrada original, então tem poucos conhecimentos do pilar 2.

Se compra acima de barras urso e venda abaixo de barras touro e muitas das suas entradas se transformam em falhas de ponto de barra, então provavelmente precisa de conhecer primeiro as suas barras, que corresponde ao pilar 1.

Ler mais:
Os Fundamentos da Estrutura de Mercado

Exercício

Durante a sessão, marque os gráficos com a sua leitura dos 3 pilares do price action e compare com a sua performance depois da sessão terminar ou no dia seguinte. Isto irá o ajudar a identificar as áreas que precisam de melhoria devendo escolher uma ou duas áreas de cada vês e trabalhar nas mesmas. A maioria das pessoas não consegue solucionar todos os problemas de uma vez só, pelo que não preocupe se levar mais tempo do que espera. Repito, basta melhorar uma duas áreas de cada vez para começar a ver resultados!

Setups Essenciais

O mercado move-se em três direções: para cima (tendência de alta), para baixo (tendência de baixa) ou para o lado lateralidade). Pode transacionar de uma direção para outra ou continuar na mesma direção, existindo um tipo de configuração para cada transição. Se conseguir detetar e operar estas transições está no caminho do sucesso.

Isto significa que existem quatro tipos de setups: reversões, lateralidades, rompimentos e continuidades. Opero todos os setups com exceção das continuidades.

Quando o mercado está em tendência (Tend) , procuro a exaustão do preço para entrar numa reversão depois de um teste de linha de canal (LC) e suporte ou resistência (Sup/Res). Se a barra/candle de reversão for fraca, procuro por um teste do extremo como um topo/fundo duplo (TD/FD), ultima bandeira (UB) ou primeira retração (1R). A LC pode ser paralela ou oblíqua à linha de tendência (LT), formando neste ultimo caso uma cunha (Cun).

Outro setup que uso para a reversão de uma tendência, é entrar na reversão através do rompimento de linha de tendência (RLT). Neste caso, procuro sempre um teste do extremo como os padrões TD/FD, UB ou 1R, porque muitos dos RLT falham e retomam na direção da tendência anterior.

Quando o mercado está em lateralidade, confirmado com dois swings de máxima (topos) e dois swings de mínima (fundos), conhecido também como um canal horizontal, procuro entrar no quarto topo/fundo, preferencialmente com um rompimento falhado (RF), segunda entrada (2E) ou cunha (Cun).

Quando existe um bom rompimento de suporte ou resistência, procuro por uma retração de rompimento (RRP) se esta for grande o suficiente (retração >= 8 barras/candles).

Entrar diretamente num rompimento sem confirmação adicional de price action é muito arriscado, porque a maioria dos rompimentos falham.

Por ultimo mas não menos importante, é encontrar outros traders encurralados ou prestes a ser encurralados. Exemplos disto são a clássica corrida aos stops (pense rompimento falhado) ou aguardar pela falha de um padrão, entrando na direção contrária. Quando os traders que cobrem as suas posições se juntam às instituições, proporcionam o impulso necessário para mais facilmente se chegar ao preço-alvo. Trata-se no entanto de uma técnica mais avançada que requer maior experiência.

Guia do Trader

Está a ler isto porque quer ser um trader. Deixo aqui uma lista de tarefas que precisa de seguir antes de mergulhar a fundo nos mercados.

  1. Uma plataforma de trade com simulador
  2. Um estilo de trade
  3. Alguns setups essenciais
  4. Um plano de trade
  5. Uma pequena conta numa corretora

A primeira coisa a fazer quando se investe na bolsa de valores é operar por uns tempos num simulador. Isto irá permitir aprender a colocar ordens e a mover os seus stops enquanto comete todo o tipo de erros típicos de um novo trader como comprar em vez de vender, calcular mal a posição, overtrading, etc. Felizmente existem várias plataformas gratuitas ou de baixo custo para praticar.

Operar num simulador permite acompanhar os movimentos do mercado e ganhar familiaridade com o price action. O mercado é como um diamante complexo que tem de operar por vários anos antes de conseguir conhecer a maioria das suas faces, e mesmo assim, nunca as irá conhecer todas. Uma boa analogia ao trade é a aprendizagem de uma nova língua. Tanto no trade como na nova língua são precisos anos de estudo e prática.

Um estilo de trading é diferente de como vê o mercado. É sobre como colocar as suas ordens de entrada, realizar os seus lucros e colocar os seus stops protetivos. Também é sobre o tempo gráfico que irá usar nos seus trades e se vai ser um trader mais ativo ou menos ativo, como day trader ou swing trader.

Aos setups de trade são discutidos extensivamente neste blog. Basicamente existem três tipos: reversões, continuações e rompimentos Se quiser aprofundar o assunto, o trabalho de Al Brooks é um excelente recurso para obter mais informações sobre price action.

Um plano de trade é muito importante de ter e de seguir. O trade é acima de tudo um desafio mental sobre o qual se trabalha e desenvolve. Assim que tiver resultados consistentes e positivos no simulador, passa para a próxima fase, a operar numa corretora com uma pequena conta em dinheiro real. Começa a aumentar o tamanho da sua conta aos poucos, e a ultrapassar as suas próprias barreiras emocionais inerentes ao facto do seu dinheiro estar em risco.

Iniciar uma conta real com pouco dinheiro e subir aos poucos permite-o manter no jogo enquanto melhora as suas capacidades.

Boa sorte e bons trades!

Gestão do Valor do Risco com uma Conta Pequena

Trader a usar smartphone e portátil

No passado cometi erros graves na gestão do dinheiro e do risco, operando grandes posições para a minha experiência nos mercados e muitas vezes não usando stops protetivos.

O problema das comissões fixas

Um dos fatores que me conduziu a operar posições maiores foi o facto de trabalhar com corretoras com comissões fixas. Se entrasse na bolsa com uma pequena posição, o valor que ganhava ou perdia era menor que as comissões, e portanto naturalmente não justificava operando com posições maiores.

As contas pequenas beneficiam de uma estrutura de comissões por percentagem

Depois descobri as corretoras com estrutura de comissões por percentagem, em que posso operar com posições baixas, com um risco mínimo, e portanto o ideal para uma conta pequena.

Importa no entanto definir uma estratégia para a gestão do dinheiro e do risco, sendo que estes dois conceitos acabam por estar relacionados, chamando ao mesmo para efeitos de simplificação como o valor do risco.

Como fazer a gestão do valor do risco numa conta pequena

Isto torna-se ainda mais importante numa conta de margem, em que muitas vezes o valor da posição é superior ao valor da conta. Muitos traders, por motivos vários, preferem trabalhar a partir de contas pequenas, mesmo que tenham possibilidades para contas maiores

Estabeleci os resultados semanais na conta como referência para a semana seguinte na gestão do valor do risco.

  • Perdi dinheiro na semana: na semana seguinte reduzo o valor do risco.
  • Terminei a semana com +- o mesmo dinheiro na conta: na semana seguinte mantenho o valor do risco.
  • Ganhei dinheiro na semana: na semana seguinte aumento o valor do risco.

Exemplo

  1. Valor do risco inicial de $0,25
  2. Ganhei na semana: valor do risco aumenta para $0,50
  3. Voltei a ganhar na semana: valor do risco aumenta para $1,00
  4. Perdi na semana: valor do risco diminui para $0,50
  5. Terminei a semana com +- o mesmo valor: valor do risco mantém-se nos $0,50
  6. Ganhei na semana: valor do risco sobe novamente para $1,00.
  7. Idem

Conclusão

A gestão do valor do risco é de extrema importância no trade, sendo que numa conta pequena o cuidado deverá ser redobrado.

A estratégia é subir este valor de uma forma faseada à medida que o trader ganha confiança e consistência nos mercados. Não fará sentido, por exemplo, subir o valor do risco se o trader se encontra a perder nos mercados semana após semana.

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