Teoria das Ondas de Elliott – Aplicação Prática com o Método da Onda C

Mapa Mental com o Método da Onda C na Teoria das Ondas de Elliott

A Teoria das Ondas de Elliott (TOE) tem duas componentes: análise técnica e aplicação prática. A análise técnica consiste na modelação dos gráficos de preços com o objetivo de prever a direção futura do preço. A aplicação prática consiste em calcular os melhores preços de entrada, stop e target mantendo a taxa de sucesso e o rácio recompensa risco equilibrados.

Um bom analista sem conhecimentos da aplicação prática da TOD não terá sucesso, assim como um analista que sabe calcular as entradas mas que não consegue prever a direção futura do preço.

Existem vários métodos de aplicação para esta teoria, cada um com as suas vantagens e desvantagens. Neste artigo desenvolvo o Método da Onda C (MOC) apresentado no livro How to Identify High-Profit Elliott Wave Trades in Real Time de Myles Wilson Walker (2001).

O objetivo geral do MOC é encontrar o final da onda C para se estabelecer uma posição. Para tal, o autor exibe 11 tipos de padrões para a onda C, a que o analista deverá corresponder nos gráficos de preços assim que suspeitar que está uma onda C em progresso.

As instruções do método são objetivas, com a indicação da entrada e stop para cada tipo de padrão, assim como o target em função do tipo de mercado.

Este artigo concentra-se apenas na aplicação prática da TOE. Para conhecer os princípios básicos da teoria, consulte o Guia de Iniciação da Teoria das Ondas de Elliott.

Como encontrar padrões de onda C

Os padrões de ondas C são geralmente observados no final de zonas congestionadas nos gráficos de preços.

Por exemplo, se um mercado estiver numa tendência forte, procure a primeira retração e marque esta como uma possível onda A. Se a próxima onda na direção da tendência for corretiva (três ou cinco ondas que não exibem regras impulsivas), marque esta nova onda como a onda B. Quando está última onda terminar, tem início a onda C, em que deverá acompanhar o seu desenvolvimento até suspeitar que esteja a terminar para preparar a sua entrada.

O target depende do tipo de mercado, se é impulsivo ou corretivo. Se for impulsivo, mantenha-se no trade até ao impulso estar prestes a terminar no final da onda 5. Se for corretivo, mantenha-se até pressentir que a correção ABC subsequente está prestes a terminar.

As regras apresentadas de seguida lidam apenas com a onda C, independentemente do tipo de correção ABC (zigzag, plana ou irregular), ou o tipo de mercado (impulsivo ou corretivo).

Deve identificar o tipo de padrão da onda C e entrar no mercado após este terminar.

Se o mercado geral for impulsivo, opere na direção da tendência usando o final da correção das ondas 2 e 4 para entrar, que terminarão com algum tipo de padrão de onda C. Depois aguarde até ao final da onda 5 para fechar as suas posições.

Como operar a onda C num mercado impulsivo - adaptado de Walker (2001)
Como operar a onda C num mercado impulsivo – adaptado de Walker (2001)

Se o mercado geral for corretivo, procure o final da onda C para entrar. Aguarde até ao final da próxima correção ABC para fechar a sua posição.

Como operar a onda C num mercado corretivo - adaptado de Walker (2001)
Como operar a onda C num mercado corretivo – adaptado de Walker (2001)

A estratégia ideal de trade no método da onda C

A melhor estratégia para operar o MOC é usar duas posições:

  1. A primeira posição de curto prazo com um target fixo
  2. A segunda posição de longo prazo adicionando novas posições (preço médio a favor) à medida que aparecem novos padrões e revertendo posições apenas quando um trade é assinalado na direção contrária
Como operar a onda C num mercado corretivo - adaptado de Walker (2001)
Estratégia de trade – adaptado de Walker (2001)

Se for um trader iniciante no MOC ou TOE, deve apenas usar a primeira posição de curto prazo com target fixo.

Tipos de padrões da onda C

As ondas C são divididas em três tipos de correções ABC distribuídas por 11 padrões no total:

  1. Correções Zigzag e Correções Planas (5 padrões)
  2. Correções Irregulares (4 padrões)
  3. Correções de Cinco Ondas (2 padrões)

A distinção entre estes os dois primeiros tipos de padrões é que no primeiro caso a onda B não ultrapassa o início da onda A, enquanto no segundo caso a onda B ultrapassa o início da onda A.

Vamos de seguida dar início à apresentação dos 11 padrões da onda C. Em todos os exemplos da onda C que se seguem, o uso das letras a, b, c, d, e é intercambiável com o uso dos números 1, 2, 3, 4, 5.

Correções Zigzag e Correções Planas (5 padrões)

Os padrões 1 a 5 são do tipo correção zigzag ABC e correção plana ABC, em que a onda B não ultrapassa o início da onda A.

Padrão 1

No padrão 1, a onda b e onda d não se sobrepõem, e podem ou não mostrar alternância (ser iguais em tempo, preço ou padrão). Este tipo de padrão pode parecer à primeira vista impulsivo, sendo que se distingue de um impulso pela onda A e onda B maiores que servem de base à onda C subdividida em cinco ondas menores.

No padrão 1 as ondas b e d não se sobrepõem - adaptado de Walker (2001)
No padrão 1 as ondas b e d não se sobrepõem – adaptado de Walker (2001)

A entrada do padrão 1 é no rompimento da onda d e o stop é colocado acima/abaixo da onda e.

Padrão 2

No padrão 2, a onda b e onda d sobrepõem-se, e podem mostrar alternância.

A onda 5 tem as seguintes características:

  1. é breve em termos de duração
  2. pode ser um pequeno triângulo abcde
  3. pode (sem carácter obrigatório) exceder a máxima/mínima da onda d da onda C.

O preço que se segue ao término da onda C por vezes é lento, frustrando muitos traders, pelo que é necessária alguma paciência.

No padrão 2 as ondas b e d sobrepõem-se - adaptado de Walker (2001)
No padrão 2 as ondas b e d sobrepõem-se – adaptado de Walker (2001)

A entrada do padrão 2 é no rompimento da onda d e o stop é colocado acima/abaixo da onda c ou onda e (máxima/mínima do padrão).

Padrão 3

O padrão 3 é um triângulo abcde de cinco ondas, com a onda a como a onda mais longa.  A onda a pode ser subdividida em três ou cinco ondas menores.

As ondas b, c, d e e têm as seguintes características:

  1. têm oscilação de preço semelhante
  2. são possivelmente enviesadas
  3. mostram subdivisões semelhantes.

A onda e é normalmente muito breve em duração a menos que seja um pequeno triângulo abcde de cinco ondas.

O padrão 3 é um triângulo abcde com a onda mais longa a - adaptado de Walker (2001)
O padrão 3 é um triângulo abcde com a onda mais longa a – adaptado de Walker (2001)

A entrada do padrão 3 é no rompimento da onda d e o stop é colocado acima/abaixo do triângulo.

Padrão 4

No padrão 4, a onda a e onda b são subdivididas em três ondas menores, a onda c é uma onda única, a onda d é subdividida em três ondas menores e a onda e tem apenas uma onda.

O padrão 4 tem várias ondas abc menores - adaptado de Walker (2001)
O padrão 4 tem várias ondas abc menores – adaptado de Walker (2001)

A entrada do padrão 4 é no rompimento da onda d e o stop é colocado acima/abaixo da onda e.

Padrão 5

O padrão 5 é o único padrão que tem a onda C com três ondas. É tradicionalmente conhecida na Teoria das Ondas de Elliott como dupla correção ou duplo zigzag.

Como operar a onda C num mercado corretivo - adaptado de Walker (2001)
O padrão 5 tem três ondas abc – adaptado de Walker (2001)

A entrada do padrão 5 é no rompimento da onda A e o stop é colocado acima/abaixo da onda C.

Correções Irregulares (4 padrões)

Os padrões 6 a 9 são do tipo correção irregular ABC, em que a onda B ultrapassa o início da onda A. À primeira vista, poderá parecer difícil reconhecer este tipo de padrão, considerando o comprimento relativamente grande da onda B em relação à onda A.

Nestes tipos de padrões, a onda C é sempre um triângulo abcde que retrai na área de preço da onda A, mas a maioria do preço anda acima/abaixo da onda A.

Uma correção irregular num mercado em tendência é seguida de um movimento forte. Num mercado corretivo, uma correção irregular dá um sinal falso de falta de momento.

Se está a operar num mercado que parece forte, mas que não obedece às regras de um mercado impulsivo, suspeite que uma correção irregular ABC possa estar em curso.

Estes tipos de padrões têm sempre uma onda B forte que termina bem acima/abaixo da onda A.

A onda B tem uma das seguintes características:

  1. onda brusca sem subdivisão em ondas menores
  2. onda com subdivisão em três ondas menores simples.
A onda B forte termina bem acima da onda A  - adaptado de Walker (2001)
A onda B forte termina bem acima da onda A – adaptado de Walker (2001)

A entrada para os padrões 6 a 9 é no rompimento da onda d, e o stop é colocado acima/abaixo do triângulo abcde.

Padrão 6

No padrão 6, a onda C termina num triângulo abcde depois de uma onda B forte, não se sobrepondo ou com uma pequena sobreposição da onda A.

No padrão 6, a onda C não se sobrepõe ou tem uma pequena sobreposição com a onda A - adaptado de Walker (2001)
No padrão 6, a onda C não se sobrepõe ou tem uma pequena sobreposição com a onda A – adaptado de Walker (2001)

Padrão 7

No padrão 7, a onda C é subdividida em cinco ondas menores retraindo 50% ou mais da onda B. A onda C pode ou não se sobrepor à onda A, neste ultimo caso se a onda B for muito longa.

No padrão 7, a onda C retrai 50% ou mais da onda A - adaptado de Walker (2001)
No padrão 7, a onda C retrai 50% ou mais da onda A – adaptado de Walker (2001)

Padrão 8

O padrão 8 é semelhante ao padrão 3, com a onda a como a maior onda de todas do triângulo abcde na onda C. Distingue-se do padrão 3 por ser uma correção plana irregular em que a onda B sobrepõe-se à onda A. A onda C pode ou não se sobrepor à onda A.

No padrão 8, a onda a é a maior de todas no triângulo abcde - adaptado de Walker (2001)
No padrão 8, a onda a é a maior de todas no triângulo abcde – adaptado de Walker (2001)

Padrão 9

No padrão 9, a onda a, onda b, onda c e onda d sobrepõem-se, com a onda e do triângulo abcde a fazer um rompimento forte na direção da onda A.

No padrão 9, a onda e é a maior de todas no triângulo abcde - adaptado de Walker (2001)
No padrão 9, a onda e é a maior de todas no triângulo abcde – adaptado de Walker (2001)

Correções de Cinco Ondas (2 padrões)

Os padrões 10 e 11 não são estritamente ondas do tipo C, mas são do tipo corretivo e podem ser confundidas com um padrão impulsivo, pelo que é importante diferenciar as mesmas, pois o movimento que se segue retrairá a maioria ou a totalidade da correção ABC.

Padrão 10

No padrão 10, a onda C é subdividida em três ondas menores abc sendo um padrão zigzag. A onda b retrai 61.8% ou menos da onda a. A onda c termina com um triângulo abcde devendo fazer uma nova máxima/mínima.

O padrão 10 pode ser confundido com um impulso. A diferença é que no primeiro a onda b é sempre menor em preço e tempo do que a onda B, não existindo a proporção para pertencerem ao mesmo ciclo, ao contrário do que acontece com a onda 2 e onda 4 de um impulso. Adicionalmente a onda b será uma correção abc simples, nada mais complexo.

No padrão 10, a onda b é menor em tempo e preço que a onda B - adaptado de Walker (2001)
No padrão 10, a onda b é menor em tempo e preço que a onda B – adaptado de Walker (2001)

A entrada do padrão 10 é no rompimento da onda d do triângulo abcde, e o stop é colocado acima/abaixo do triângulo abcde.

Padrão 11

À semelhança do padrão 10, o padrão 11 também pode ser confundido com um impulso. Neste caso o tempo combinado da onda 3, onda 4 e onda 5 (quando medidas do final da onda 2) é igual ou menor que o tempo combinado da onda 1 e onda 2. Algumas das ondas menores quando vistas de perto são correções abc e não impulsos 12345. Um padrão 11 pode retrair completamente ou ser a onda A de uma correção ABC maior.

No padrão 11, o tempo combinado das ondas 1 e 2 é maior ou igual que o tempo combinado das ondas 3, 4 e 5 - adaptado de Walker (2001)
No padrão 11, o tempo combinado das ondas 1 e 2 é maior ou igual que o tempo combinado das ondas 3, 4 e 5 – adaptado de Walker (2001)

A entrada do padrão 11 é no rompimento da onda 4 e o stop é colocado acima/abaixo da onda 5.

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